DEUS NÃO É RELIGIÃO OU SEITA, POIS RELIGIÕES E SEITAS SÃO COISAS DOS HOMENS E MULHERES, COMO AS CRENDICES.

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. João 8:32 - Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. João 17:17 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. João 6:47 - Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. 2 Coríntios 13:8.


O AMOR DE DEUS PARA COM OS SERES HUMANOS, É ABSOLUTAMENTE INCONDICIONAL, POIS OS CRIOU A SUA IMAGEM E SEMELHANÇA EM ESPÍRITO, E NÃO PODE NEGAR-SE A SI PRÓPRIO.


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 CRIAÇÃO DA RAÇA HUMANA RACIONAL
Existem dois períodos distintos e importantes na criação da vida humana. 1º Período: Antes da criação do homem racional (pré-história) e 2º Período após a criação do homem racional, este último citado na Bíblia, em Gênesis Capítulo 1º (criação dos espíritos do homem e da mulher), e Gênesis, Capítulo 2º (criação dos corpos do homem e da mulher). É muito grande a falta de entendimento dos Ciêntistas e dos Religiosos, tornado-os radicais.


 

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JESUS, FILHO DO PROPRIETÁRIO DO UNIVERSO.
JESUS, FILHO DO PROPRIETÁRIO DO UNIVERSO.

JESUS, FILHO DO PROPRIETÁRIO DO

UNIVERSO.

 

Há muito tempo já estava programado a vinda do filho de DEUS na terra, o dito Messias chamado Jesus de Nazaré como consta do Velho Testamento:

Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim borrifará muitas nações, e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que eles não ouviram entenderão. Isaías 52:13-15

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele.E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. Daniel 7:13-14


 

 MESSIAS

 

Um conceito do judaísmo, o Messias (em hebraico: משיח, transl. Māšîªħ, Mashíach, Mashíyach, "O Consagrado"; a forma asquenazi é Moshiach, e a aramaica é meshicha/meshiacha) refere-se, principalmente, à profecia da vinda de um humano descendente do Rei David, que irá reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo desta forma a paz ao mundo.

Os cristãos, com algumas exceções, consideram que Jesus Cristo é o Messias, bem como o Filho de Deus e uma das três Pessoas da Trindade, doutrina que foi confirmada terminologicamente, a título dogmático, no Concílio de Niceia de 325 d.C.. A palavra "Cristo" (em grego Χριστός, Christós, "O Ungido" ou "O Consagrado") é uma tradução para o grego do termo hebraico mashiach.

No Antigo Testamento, a palavra específica Messias aparece apenas duas vezes: em Daniel 9:25 e 26, quando um anjo anuncia ao profeta Daniel que o Messias surgiria e seria morto 62 semanas proféticas após a reedificação de Jerusalém, antes da cidade e do templo serem novamente destruídos.

No Novo Testamento, a palavra grega Μεσσίας (Messias) está registrada também apenas duas vezes: em João 1:41, quando o André contou a seu irmão Pedro que recém haviam encontrado o Messias (que traduzido é o Cristo), e em João 4:25, onde uma mulher samaritana comenta com Jesus que sabia que o Messias (que se chamava Cristo) estava vindo, e que quando viesse, nos anunciaria tudo, ao que Jesus prontamente lhe respondeu: "Eu o sou, eu que falo contigo".

Significado bíblico da palavra

No Antigo Testamento a palavra "Ungido" (consagrado, libertador) aplicava-se a várias pessoas: os reis de Israel, os juízes, bem como o Sumo Sacerdote, algo próximo ao termo Messias - alguém de quem o Espírito de Deus se apoderava, fazendo com que o eleito realizasse maravilhas, e demostrasse ao povo que sua autoridade sobre o povo de Israel procedia de Deus. Os próprios patriarcas eram considerados "Ungidos", no sentido mais amplo da palavra. Mas até o século I a.C., a palavra Messias era aplicada apenas às profecias que se referiam à vinda do libertador de Israel.

Outros judeus que se proclamaram ou foram tidos como Messias

O relato de Rabi matityahuh Ben Abraham acerca de Messias no primeiro século

Pensava-se que Flávio Josefus, o homem que Roma mandou para averiguar sobre Jesus tivesse declarado que o Jesus dos Cristãos era de facto o verdadeiro Messias. Não existem versões originais dos escritos de Josephus. No entanto, as comparações de várias traduções levaram analistas dos textos a concluir que esta declaração, bem como outras, foram na verdade alterações inseridas ao texto séculos depois dos factos, não tendo sido escritas por Josefo.

No entanto, também dos textos de Josefo, há o relato de que, no primeiro século antes da destruição do Templo, alguns messias surgiram, prometendo o alívio da opressão romana, tendo encontrado seguidores.

Josefo relata: "Outro corpo de homens malvados também se levantou, mais limpos nas suas mãos, mas mais malvados nas suas intenções, que destruíram a paz da cidade, não menos do que o fizeram estes assassinos os Sicarii. Porque eles eram impostores e enganadores do povo, e, sob a pretensa iluminação divina, eram pela inovação e por mudanças, e conseguiram convencer a multidão a agir como loucos, e caminharam em frente deles pelo descampado, afirmando que Deus lhes iria ali mostrar sinais de liberdade". Mateus, no aviso contra "falsos Cristos e falsos profetas", testemunha o mesmo.

  • Por volta de 44 d.C., apareceu um      homem chamado Theudas (ou Teudas), que clamava ser um profeta. Encorajava as pessoas a segui-lo, trazendo os seus haveres até ao Jordão, que dividiria para os seguidores. De acordo com Atos 5 v. 36 (que parece referir-se a uma data diferente), conseguiu convencer 400 pessoas. Cuspius Fadus enviou homens a cavalo em perseguição dele e do seu bando. Muitos deles foram mortos e outros foram tomados como cativos, juntamente com o seu líder, que foi decapitado ("Ant." xx. 5, § 1). Outro citado pelo destacado judeu Gamaliel é chamado de Judas, o Galileu.
  • Um messias egípcio terá supostamente conseguido agregar 30000 apoiantes, prometendo que sob o seu comando as muralhas de Jerusalém iriam ser desmoronadas.
  • Outro messias, segundo o relato de Josefo, prometeu ao povo "a libertação das suas misérias" se eles o seguissem até ao descampado. O líder e seus seguidores foram mortos pelas tropas de Festus, o procurador romano.
  • Mesmo quando Jerusalém já estava sendo destruída pelos Romanos, um profeta, de acordo com Josefo, subornado pelos defensores por forma a evitar as pessoas de desertarem, anunciou que Deus os comandava para virem ao Templo, onde receberiam sinais milagrosos da sua libertação. Foram ao encontro da morte nas chamas.

Menahem ben Judah

Ao contrário daqueles Messias, que esperavam conseguir a libertação do seu povo através de intervenção divina, Menahem ben Judah, o filho de Judas da Galileia, e neto de Hezequiel, o líder dos Zelotes, que tinham irritado o Rei Herodes, era um guerreiro. Quando começou a guerra, ele atacou Masada com o seu grupo, armou os seus seguidores com as armas ali armazenadas, e partiu para Jerusalém, onde capturou a fortaleza Antónia, derrotando as tropas de Agripa II. Encorajado por este sucesso, ele comportou-se como Rei e clamou a liderança de todas as tropas. Espoletou por isso a oposição de Eleazar, outro líder Zelota que alguns historiadores acreditam ser irmão de Menahem, tendo sido assassinado como resultado de uma conspiração. Ele será provavelmente a mesma pessoa mencionada como Menahem ben Hezekiah no Talmud e ali chamado de "provisor de conforto que deverá aliviar".

Bar Kochba

Com a destruição do Segundo Templo de Jerusalém em 70 d.C., a aparição de Messias parou por algum tempo. Sessenta anos mais tarde, um movimento político-messiânico de grandes proporções teve lugar, com Shimeon Bar Kochba (também: Bar Kosiba) como líder. Este líder da revolta contra Roma foi saudado como o Rei-Messias pelo Rabi Aquiva, que se referiu a ele, como: "Uma quarta estrela de Jacob virá e o ceptro irá erguer-se fora de Israel, e irá golpear pelos cantos do Reino de Moab,", e Hag. ii. 21, 22; "Eu irei sacudir os céus e a terra e destronar reinados . . . ."

Apesar de alguns terem duvidado que fosse o Messias, ele parece ter conseguido o apoio generalizado na nação. Após causar uma guerra que fez frente (133-135) ao poder de Roma, foi morto perto das muralhas de Bethar. O seu movimento messiânico acabou em derrota e na miséria dos sobreviventes. Em 135, a revolta foi esmagada pelo imperador romano Adriano. Centenas de milhares de judeus foram massacrados, os sobreviventes dispersaram-se pela diáspora ou foram feitos escravos. Adriano decretou a expulsão de todos os judeus de Jerusalém, autorizando o seu retorno apenas por um dia ao ano, em Tisha Be'av, para demonstrar luto pela destruição do Templo. Após esta tremenda derrota dos judeus, a cidade de Jerusalém seria reconstruída pelos Romanos, tendo o imperador Adriano ordenado a mudança do nome de Jerusalém para Aelia Capitolina, e o nome da Judeia para Síria Palestina, para evitar qualquer associação judaica e com a terra de Israel. (Ver também: Guerras judaico-romanas)

O ocorrido marcou também uma nova etapa do cristianismo. Até então, os cristãos eram sobretudo judeus. A partir de aqui foram obrigados a dispersar-se para outras zonas. Se até então a psicologia dos líderes cristãos tinha uma perspectiva judaica, depois do ano 135 a maioria dos cristãos seriam gentios (não judeus), e adquiririam uma perspectiva diferente, de pessoas que vivem na Grécia, ou são romanos e que mais facilmente adoptariam posições antijudaicas (Ver também: Primeiro Concílio de Niceia).

Moisés de Creta

A derrota da guerra de Bar Kochba foi um desastre que afectou negativamente o surgimento de Messias nos séculos seguintes. No entanto, a esperança pemaneceu. De acordo com um cálculo baseado no Talmude, o Messias seria esperado em 440. Esta expectativa, em ligação com os distúrbios no Império Romano em face das invasões, podem ter levado a incentivar o Messias que apareceu nesta época em Creta e que angariou o apoio da população judaica para o seu movimento. Ele denominou-se Moisés e prometeu liderar o seu povo, como o antigo Moisés, levando o seu povo de volta à Palestina, atravessando o mar. Os seus seguidores, convencidos por ele, deixaram as suas possessões e esperaram pelo dia prometido, quando sob o seu comando, muitos se lançaram para o mar, alguns morreram, outros foram salvos. O pseudo-messias desapareceu sem rastro.

Na Pérsia do século VII

Os pseudo-Messias que se seguiram surgiram todos no Oriente e eram por vezes reformadores religiosos cujo trabalho influenciaria o Caraismo. No final do século VII, surgiu na Pérsia Isḥaḳ ben Ya'ḳub Obadiah Abu 'Isa al-Isfahani de Ispahan. Ele viveu no reino do Califa Omíada "Abd al-Malik ibn Marwan" (684-705). Ele afirmou ser o último dos cinco precursores do Messias e ter sido nomeado por Deus para libertar Israel. De acordo com alguns, ele era o próprio Messias. Tendo reunido um grande número de seguidores, ele revoltou-se contra o califa, mas foi derrotado e assassinado em Rai. Os seus seguidores disseram que ele fora inspirado por Deus e mostraram como prova o facto de ter escrito livros apesar de ser analfabeto. Ele fundou a primeira seita a ter surgido do Judaísmo após a destruição do Templo.

O seu discípulo Yudghan, chamado "Al-Ra'i" (= "o pastor do rebanho do seu povo"), que viveu na primeira metade do século VIII, declarou ser um profeta e foi visto pelos seus discípulos como um Messias. Ele era de Hamadã e ensinava doutrinas que afirmava ter recebido através da profecia. De acordo com Shahristani, ele opôs-se à crença do antropomorfismo, ensinou a doutrina da vontade livre, e sustentou que a Torah tinha um sentido alegórico em adição ao sentido literal. Ele preconizava que os seus seguidores levassem uma vida ascética, se abstivessem de carne e de vinho, e que rezassem e jejuassem frequentemente, seguindo nisto o seu mestre Abu 'Isa. Ele afirmava que a observância do Shabat e de festividades era meramente uma questão de memorial. Após a sua morte, os seus seguidores formaram uma seita, os Iudghanitas, que acreditavam que o seu Messias não tinha morrido, mas sim que iria regressar.

Serene

Entre 720 e 723, um Sírio, Serene (o seu nome aparece em várias fontes como Sherini, Sheria, Serenus, Zonoria, Saüra) apareceu como o Messias. A ocasião imediata para a sua aparição pode ter sido a restrição das liberdades dos Judeus pelo Califa Omar II (717-720) e seus esforços de proselitismo. De uma perspectiva política, este Messias prometia a expulsão dos Muçulmanos e a restauração dos Judeus na Terra Santa. Como Abu 'Isa and Yudghan, Serene foi também um reformador religioso. Ele era hostil ao Judaísmo Rabínico. Os seus seguidores não observavarm as leis da alimentação, as preces instituidas por rabinos e a proibição contra o "vinho de libação". Eles trabalhavam no segundo dia das festividades, não escreviam documentos para registrar casamentos e divórcios tal como as prescrições do Talmud, e não aceitaram as proibições do Talmud quanto ao casamento com parentes próximos. Serene foi preso. Trouxeram-no perante o Califa Yazid, a quem declarou ter agido apenas por piada, pelo que foi entregue aos Judeus para castigo. Os seus seguidores foram recebidos de volta ao grupo religioso original após terem renunciado à heresia.

Messias durante as Cruzadas

Sob a influência das Cruzadas, o número de Messias aumentou, sendo que o século XII conheceu vários. Um apareceu em França (c. 1087) e foi assassinado pelos franceses. Outro apareceu na Província de Córdova (c. 1117), e outro ainda em Fez (c. 1127). Destes três nada se conhece que não a menção de Maimonides "Iggeret Teman" (carta aos judeus Iemenitas).

David Alroy

O próximo movimento Messiânico importante apareceu outra vez na Pérsia. David Alroy ou Alrui, nascido no Curdistão, declarou-se por volta de 1160 como um Messias. Tirando partido da sua popularidade pessoal, das fraquezas do Califado e do descontentamento dos Judeus, a quem foram impostas pesadas taxas, ele montou um esquema político, afirmando ter sido enviado por Deus para libertar os Judeus da opressão pelos Muçulmanos e liderá-los de volta a Jerusalém. Com este objectivo, ele intimou os guerreiros judeus do distrito vizinho do Adherbaijan e seus correligionários em Mosul e Bagdad para virem apoiar a captura de Amadia. A partir daí, a sua carreira está rodeada de lendas. O seu movimento falhou, e diz-se que teria sido assassinado, enquanto dormia, pelo seu próprio sogro. Uma taxa pesada foi imposta aos Judeus após esta revolta. Após a sua morte, Alroy teve muitos seguidores em Khof, Salmas, Tauris, e Maragha, e estes formaram uma seita chamada dos Menahemistas, com origem no nome Messiânico "Menahem," assumido pelo seu fundador.

No Iêmen

Pouco tempo depois de Alroy, um alegado anunciador do Messias apareceu no Iêmen (em 1172) numa altura em que os Muçulmanos estavam tentando converter os Judeus que ali viviam. Ele declarou que as desgraças deste tempo eram um prognóstico da vinda do reino Messiânico, e ordenava aos Judeus que dividissem a sua propriedade com os pobres. Este pseudo-messias foi tematizado pelo "Iggeret Teman" de Maimónides. Ele continuou a sua actividade por um ano, tendo depois sido preso pelas autoridades muçulmanas e decapitado após a sua própria sugestão, diz-se, de forma a poder provar a verdade da sua missão ao retornar à vida.

Abraão Abulafia

Com Abraão ben Samuel Abulafia (Hebreu: אברהםבןשמואלאבולעפיה) (Saragoça, Espanha, 1240; morreu depois de 1291 em Comino, Malta), o cabalista, começa a tradição de pseudo-Messias cujas actividades são profundamente influenciadas pelas suas especulações cabalísticas.

Como resultado dos seus estudos místicos, Abulafia começou a acreditar que era um profeta, e num livro profético publicado em Urbino (1279) ele declarou que Deus lhe tinha falado. Em Messina, na ilha da Sicília, onde foi bem recebido e ganhou discípulos, declarou ser o Messias e anunciou 1290 como o ano do início da era messiânica. Solomon ben Adret, a quem apelaram para julgar quanto às afirmações de Abulafia, condenou-o, e algumas congregações declararam-se contra ele. Perseguido na Sicília, foi para a ilha de Comino, próximo de Malta (c. 1288), ainda afirmando nas suas escritas a sua missão messiânica. Dois dos seus discípulos, José Gikatilla e Samuel, ambos de Medinaceli, declararam mais tarde serem profetas e milagreiros. O último profetizou em linguagem mística em Ayllon em Segóvia o advento do Messias.

Nissim ben Abraham

Um outro pretenso profeta foi Nissim ben Abraham, activo em Ávila. Os seus seguidores diziam que apesar de analfabeto, tinha sido favorecido subitamente por um anjo, com o poder de escrever um livro místico "A maravilha da Sabedoria". De novo, apelaram a Solomon ben Adret, que duvidou da pretensão profética de Nissim e aconselhou investigação cuidadosa. O profeta continuou a sua actividade, no entanto, e fixou até o último dia do quarto mês, Tammuz, 1295, como a data da vinda do Messias. Os crentes prepararam-se para o evento jejuando e dando para a caridade, e reuniram-se no dia designado. Mas em vez de encontrarem o Messias, alguns viram pequenas cruzes presas aos seus vestimentos, talvez colocadas por descrentes para ridicularizar o movimento. Na sua decepção, alguns dos seguidores de Nissim ter-se-iam convertido ao Cristianismo. Não se sabe o que aconteceu ao profeta.

Moisés Botarel de Cisneros

Um século depois, outro falso Messias surgiu. Este pretendente a Messias seria Moses Botarel of Cisneros. Um dos seus aderentes terá sido Hasdai Crescas. A sua relação é referida por Jerónimo da Santa Fé no seu discurso na disputação de Tortosa em 1413.

Asher Lemmlein

Em 1502, Asher Lemmlein (Lämmlein), um alemão proclamando ser um anunciador do Messias, apareceu em Ístria, perto de Veneza, e anunciou que se os Judeus fossem penitentes e praticassem a caridade, dentro de seis meses viria o Messias, e um pilar de nuvens e de fumo iria preceder os Judeus no seu regresso a Jerusalém. Ele teve seguidores em Itália e na Alemanha, mesmo entre Cristãos. Em obediência às suas preces, as pessoas jejuaram, rezaram e deram esmolas para preparar a vinda do Messias, e o ano ficou conhecido como o "ano da penitência". Mas o "Messias" terá morrido ou desaparecido (ver Lemmlein Asher).

Reuveni e Salomão Molko

Entre os pseudo-messias há que incluir David Reuveni e Salomão Molko. O primeiro afirmou ser o embaixador e irmão do Rei de Khaibar, uma cidade e antigo distrito da Arábia, onde os descendentes das "tribos perdidas" de Rubem e Gad supostamente viviam. Pediu ao Papa e a potências europeias que lhes fornecessem canhões e armas de fogo para a guerra com os Muçulmanos que, disse, impediam a união dos Judeus que viviam nos dois lados do Mar Vermelho. Negou expressamente ser um Messias ou um profeta ), dizendo que era apenas um guerreiro.

A boa-vontade com que foi acolhido pelo Papa em 1524, a audiência que lhe foi concedida nas cortes portuguesas em 1525 (a convite do Rei D. João III), onde recebeu pela primeira vez a promessa de ajuda e a pausa temporária na perseguição aos Marranos, fez crer a estes judeus portugueses e espanhóis que Reuveni era um precursor do Messias. Selaya, inquiridor de Badajoz, queixou-se ao Rei de Portugal que um Judeu vindo do Oriente (referindo-se a Reuveni) tinha suscitado aos Marranos espanhóis a esperança de que o Messias chegaria e iria liderar Israel de todas as suas terras de volta à Palestina, e que tinha mesmo encorajado a actos públicos. Um espírito de expectativa cresceu durante a estadia de Reuveni em Portugal. Uma mulher marrana da região de Herara, em Puebla de Alcocer declarou ser uma profeta, teve visões, e prometeu liderar os seus correligionários para a Terra Santa. Foi queimada viva, juntamente com quem acreditava nela.

Isaac Luria

Isaac Luria (Isaac ben Solomon Ashkenazi Luria) foi um seguidor judeu da Cabala (misticismo esotérico) e reivindicou ser o Messias. Mais tarde, o seu discípulo e seguidor Hayyim Vital Calabrese foi tido como o Messias por alguns judeus da Palestina. Ambos afirmaram serem Messias Efraíticos, anunciadores do Messias Davídico.

Isaac Luria (n. 1534 em Jerusalém; f. 1572 em Safed, Israel) ensinava no seu sistema místico a transmigração e superfetação das almas, e acreditava ele próprio possuir a alma do Messias da casa de José, e ter como missão apressar a vinda do Messias da linha de David através do melhoramento místico das almas.

Tendo desenvolvido o seu sistema Cabalístico no Egipto sem no entanto conseguir ali muitos seguidores, ele foi para Safed, Israel, por volta de 1569. Foi ali que conheceu Hayyim Vital Calabrese, a quem revelou os seus segredos e através de quem assegurou muitos seguidores. A estes, ensinou secretamente o seu messianismo. Ele acreditava que a era messiânica iria ter início no princípio da segunda metade do segundo dia (do ano 1000) após a destruição do templo de Jerusalém, ou seja, em 1568.

Com a morte de Luria, Hayyim Vital Calabrese (n. 1543; f. 1620 em Damasco) reivindicou ser o Messias Efraíta e pregou o breve advento da era Messiânica. Em 1574, Abraão Shalom, um pretendente a Messias Davidico, comunicou a Vital, dizendo que ele (Shalom) era o Messias Davidico, enquanto que Vital era o Messias da casa de José. Ele pediu a Vital que fosse a Jerusalém e que ali ficasse pelo menos dois anos, com o que o espírito divino iria chegar-lhe.

Shalom disse a Vital, para além disso, que não receasse a morte, o destino do Messias Efraíta, já que ele iria tentar salvá-lo dessa perdição.

Sabbatai Zevi

O movimento messiânico mais importante de todos, e um cuja influência atingiu todo o mundo judaico, tendo durado em vários sítios mais de um século, foi o movimento de Sabbatai Zevi (1626- 1676).

Sabbatai sofria de crises de tristeza, seguidas de período de grande alegria e actividade; tem sido sugerido que ele seria um doente bipolar (maníaco-depressivo). Um dia Sabbatai foi ao encontro de Nathan de Gaza (1644-1680), uma espécie de adivinho e curandeiro, na esperança de encontrar a solução para os seus males. Nathan reconhece-o como Messias e incute-lhe essa ideia; Sabbatai deve a Nathan a elaboração da teologia deste movimento messiânico, uma vez que Sabbatai nada escreveu e não apresentou nenhuma mensagem original.

Em Setembro de 1665, na cidade de Esmirna, diante de uma multidão em delírio, Sabbatai declara-se Messias de Israel. Seis meses depois, Sabbatai dirige-se para Constantinopla, provavelmente com o objectivo de converter os muçulmanos. Em Fevereiro de 1666 é preso por ordem de Mustafá Paxá que lhe apresentou duas alternativas: a conversão ao Islão ou a morte. Para escapar à morte, Sabbatai renuncia ao Judaísmo e converte-se à religião muçulmana. Nathan de Gaza e os outros seguidores interpretaram a sua apostasia como a prova de que ele era realmente o Messias: os actos de redenção são aqueles que causam mais escândalo. Ver o artigo Sabbatai Zevi para mais detalhes.

Pseudomessias sabbatainianos

Após a morte de Sabbatai seguiu-se uma linha de messias putativos. Jacob Querido, filho de Joseph Filosof, e irmão da quarta mulher de Sabbatai, tornou-se líder dos Shabbethanos em Salónica, sendo visto como a encarnação de Shabbethai. Ele afirmava-se filho de Sabbatai e adoptou o nome Jacob Tzvi. Com quatrocentos seguidores, ele converteu-se ao Islão por volta de 1687, formando uma seita chamada Dönmeh. Ele próprio chegou mesmo a peregrinar a Meca (c. 1690). Após a sua morte, o seu filho Berechiah ou Berokia sucedeu-o (c. 1695-1740).

Vários seguidores de Sabbatei declararam-se eles próprios Messias. Miguel Abraham Cardoso (1630 - 1706), nascido de pais marranos, pode ter sido iniciado no movimento Shabbethaniano por Moisés Pinheiro em Livorno. Ele tornou-se um profeta do Messias, e quando o último se converteu ao Islão, ele chamou-o de traidor, dizendo que é necessário que o Messias se conte entre os pecadores por forma a expiar a idolatria de Israel.

Ele aplicou a passagem de Isaías LIII a Sabbatai, e enviou epístolas que provariam que ele era o verdadeiro Messias, chegando mesmo a sofrer a perseguição por defender a sua causa. Mais tarde, considerou-se um Messias Efraíta, argumentando com alegadas marcas no seu corpo que o provariam. Pregou e escreveu sobre vinda em breve do Messias, marcando datas diferentes, até que acabou por morrer.

Mordecai Mokia

Outro seguidor de Shabbethai que lhe permaneceu fiel, Mordecai Mokia, ou Mordekay Mokiah ("o admoestador") de Eisenstadt, também pretendeu ser um Messias. O seu período de actividade foi de 1678 a 1682 ou 1683.

Defendeu inicialmente que Shabbethai era o verdadeiro Messias e que a sua conversão tinha sido necessária por motivos místicos. Pregava que este não morrera mas que se iria revelar dentro de três anos após a sua suposta morte, e apontou para as perseguições de Judeus em Oran (Espanha), na Áustria, e em França, e a pestilência na Alemanha como presságios da sua vinda.

Encontrou seguidores entre judeus da Hungria, Morávia e da Boémia. Dando um passo mais, ele declarou ser o Messias Davídico. Shabbethai, de acordo com ele, passou apenas a ser o Messias Efraíta. Como tinha sido rico, significava que não poderia executar a redenção de Israel. Ele, Mordecai, sendo pobre, era o Messias verdadeiro e ao mesmo tempo a encarnação da alma do Messias efraíta.

Judeus italianos, ouvindo falar dele, convidaram-no a ir até Itália. Viajou para a Itália por volta de 1680, tendo sido bem recebido em Reggio e Modena. Falou das preparações messiânicas que teria que fazer em Roma, e deu a entender que talvez adoptasse o Cristianismo exteriormente. Denunciado à Inquisição ou aconselhado a deixar a Itália, ele regressou à Boémia, onde se diz que se tornou demente. A partir deste tempo, uma seita começou a tomar forma ali, e persistiu até à era Mendelssoniana.

Outro pretendente a Messias Shabbethaniano foi Löbele Prossnitz. Ele ensinou que Deus tinha dado o domínio do mundo ao "pio", isto é, aquele que entrara nas profundezas da Cabala.

Tal representação de Deus tinha sido Shabbethai, cuja alma tinha passado para outros homens "pios", Jonathan Eybeschütz e ele próprio.

Outro, Isaías Hasid (um cunhado do Shabbethaniano Judah Hasid), que vivia em Mannheim, afirmou secretamente ser o Messias ressuscitado apesar de ter publicamente abjurado de quaisquer crenças Shabbethanianas.

Jacob Frank

Jacob Frank (n. 1726 em Podolia; f. 1791), fundador dos franquistas, também afirmou ser o Messias. Na sua juventude tinha tido contacto com o Dönmeh. Ele ensinava que era uma reencarnação do Rei David. Tendo assegurado alguns seguidores entre os Judeus da Turquia e de Valáquia (na actual Roménia), ele veio em 1755 até à Podolia, onde os Shabbethanianos necessitavam de um líder, e revelou-se como a reencarnação da alma de Berechiah.

Enfatizou a ideia do "rei sagrado" que seria ao mesmo tempo Messias, tendo-se denominado apropriadamente de "santo señor". Os seus seguidores afirmam que realizou milagres, tendo chegado mesmo a rezar-lhe.

O seu objectivo (e o da sua seita) era o de arrancar pela raiz o Judaísmo rabínico. Foi forçado a deixar Podolia; e seus seguidores foram perseguidos.

Regressando em 1759, aconselhou os seus seguidores a converterem-se ao cristianismo. Cerca de 1000 deles converteram-se, tornando-se polacos gentios com origens judaicas. Ele próprio converteu-se em Varsóvia em Novembro de 1759.

Mais tarde, a sua insinceridade foi exposta, e foi emprisionado por heresia, permanecendo no entanto, mesmo encarcerado, o líder de sua seita.

Menachem Mendel Schneerson

Entre a linha Chabad Lubavitch do Judaísmo chassídico houve um crescente fervor messiânico nos finais da década de 1980 e princípios da década de 1990, devido à crença que o seu líder, Menachem Mendel Schneerson estaria prestes a revelar-se como o Messias. A morte de Schneerson em 1994 abateu um pouco este sentimento, apesar de muitos seguidores de Schneerson ainda acreditarem que ele é o Messias e que irá regressar em devido tempo.


JESUS CRISTO

 

Jesus (7–2 a.C – 30–33 d.C.), também chamado Jesus de Nazaré, é a figura central do Cristianismo e aquele que os ensinamentos de maior parte das denominações cristãs consideram ser o Filho de Deus. O Cristianismo acredita que Jesus seja o Messias aguardado no Antigo Testamento e refere-se a si como Jesus Cristo, um nome também usado fora do contexto Cristão.

Praticamente todos os académicos contemporâneos concordam que Jesus existiu na História, embora não haja consenso sobre a confiabilidade histórica dos evangelhos e de quão perto o Jesus bíblico está do Jesus histórico. A maior parte dos académicos concorda que Jesus foi um pregador Judeu da Galileia, foi batizado por João Batista e crucificado por ordem do governador romano Pôncio Pilatos. Os académicos construíram vários perfis do Jesus histórico, que geralmente o retratam em um ou mais dos seguintes papéis: o líder de um movimento apocalíptico, o Messias, um curandeiro carismático, um sábio e filósofo, ou um reformista igualitário. A investigação tem vindo a comparar os testemunhos do Novo Testamento com os registos históricos fora do contexto cristão de modo a determinar a cronologia da vida de Jesus.

Os cristãos acreditam que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de uma virgem, praticou milagres, fundou a Igreja, morreu crucificado como forma de expiação, ressuscitou dos mortos e ascendeu ao Paraíso, do qual regressará. A grande maioria dos cristãos venera Jesus enquanto a encarnação de Deus, o Filho, a segunda de três pessoas na Santíssima Trindade. Alguns grupos cristãos rejeitam a Trindade, no todo ou em parte.

No contexto islâmico, Jesus (transliterado como Isa) é considerado um dos mais importantes profetas de Deus e o Messias. Para os Muçulmanos, Jesus foi aquele que trouxe as escrituras e é filho de uma virgem, mas não é divino nem foi vítima de crucificação. O Judaísmo rejeita a crença de que Jesus seja o Messias aguardado, argumentando que não corresponde às profecias messiânicas do Tanach.

Etimologia

Um judeu contemporâneo de Jesus possuía um único nome, por vezes complementado com o nome do pai ou cidade de origem. Ao longo do Novo Testamento, Jesus é denominado "Jesus de Nazaré" (Mateus 26:71), "Filho de José" (Lucas 4:22) ou "Jesus, filho de José de Nazaré" (João 1:45). No entanto, em Marcos 6:3, em vez de ser chamado "filho de José", é referido como "o filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão". O nome "Jesus", comum em várias línguas modernas, deriva do latim "Iesus", uma transliteração do grego Ἰησοῦς (Iesous). A forma grega é uma tradução do aramaico ישוע‎ (Yeshua), o qual deriva do hebraico יהושע‎ (Yehoshua). O nome Yeshua aparenta ter sido usado na Judeia na época do nascimento de Jesus. Os textos do historiador Flávio Josefo, escritos durante o século I em grego helenístico, a mesma língua do Novo Testamento, referem pelo menos vinte pessoas diferentes com o nome Jesus (i.e. Ἰησοῦς) A etimologia do nome de Jesus no contexto do Novo Testamento é geralmente indicada como "Javé é a salvação".

Cronologia

A maior parte dos académicos concorda que Jesus foi um judeu da Galileia, nascido por volta do início do primeiro século, e que morreu entre os anos 30 e 36 d.C. na Judeia. O consenso académico é que Jesus foi contemporâneo de João Batista e foi crucificado por ordem do governador romano Pôncio Pilatos, que governou entre 26 e 36 d.C. Grande parte dos académicos sustentam que Jesus viveu na Galileia e na Judeia e que não pregou ou estudou em qualquer outro local.

Os evangelhos oferecem diversas pistas no que diz respeito ao ano de nascimento de Jesus. Mateus 2:1 associa o nascimento de Jesus ao reinado de Herodes, o Grande, que morreu cerca de 4 a.C., enquanto que Lucas 1:5 menciona que Herodes reinava pouco antes do nascimento de Jesus, embora este evangelho também associe o nascimento com o censo de Quirino que decorreu dez anos mais tarde. Lucas 3:23 declara que Jesus tinha cerca de trinta anos de idade no início do seu ministério; ministério esse que, de acordo com Atos 10:37, foi precedido pelo ministério de João que Lucas 3:1 afirma ter começado no 15º ano do reinado de Tibério (28 ou 29 d.C.) Ao comparar os relatos do evangelho com dados históricos e usando vários outros métodos, a maior parte dos académicos determina a data de nascimento de Jesus entre 6 e 4 a.C.

Os anos do ministério de Jesus foram estimados usando diversas abordagens diferentes. Uma delas aplica as referências em Lucas 3:1, Atos 10:37 e as datas do reinado de Tibério, que são conhecidas com precisão, para determinar a data de início em 28-29 d.C. Outra abordagem usa a declaração em João 2:13-20, que afirma que no início do ministério de Jesus o Templo de Jerusalém se encontrava no seu 46º ano de construção; sabendo que a reconstrução do templo foi iniciada por Herodes no 18º ano do seu reino, estima-se que a data seja 27-29 d.C. Outro método usa a data da morte de João Batista e o casamento de Herodes Antipas com Herodíade, com base no testemunho de Josefo, relacionando-os com Mateus 14:4 e Marcos 6:18. Dado que a maior parte dos investigadores data o casamento em 28-35 d.C., isto determina a data do ministério entre 28 e 29 d.C.

Têm sido usadas várias abordagens diferentes para estimar o ano da crucificação de Jesus. A maior parte dos académicos concorda que morreu entre os anos 30 e 33 d.C. Os evangelhos declaram que o evento ocorreu durante o governo de Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 d.C. A data para a conversão de Paulo (estimada entre 33 e 36 d.C.) é o limite superior para a data de crucificação. As datas da conversão de Paulo e do ministério podem ser determinadas através da análise das epístolas de Paul e do Livro dos Atos. Desde Isaac Newton que os astrónomos tentam estimar a data precisa da crucificação através da análise do movimento lunar e do cálculo das datas históricas do Pessach, um festival com base no calendário hebraico lunissolar. As datas mais aceites a partir deste método são 7 de abril de 30 d.C. e 3 de abril de 33 d.C (ambas julianas).

Vida e ensinamentos no Novo Testamento

Os quatro evangelhos canónicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) são as principais fontes para a biografia de Jesus. No entanto, outras partes do Novo Testamento, como as epístolas paulinas, escritas provavelmente décadas antes dos evangelhos, incluem também referências a episódios chave da sua vida, como a Última Ceia em Coríntios 11:23-26 Os Atos dos Apóstolos (Atos 10:37-38 e Atos 19:4) referem-se ao início do ministério de Jesus e ao do seu antecessor João Batista. Atos 1:1-11 revelam mais acerca da Ascensão de Jesus que os evangehos canónicos. Alguns dos primeiros grupos cristãos e gnósticos tinham descrições distintas da vida e ensinamentos de Jesus que não estão incluídas no Novo Testamento. Entre elas estão o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Pedro e o Apócrifo de Tiago, entre várias outras narrativas apócrifas. A maior parte dos académicos considera-as fontes muito posteriores muito menos confiáveis do que os evangelhos canónicos.

Descrição nos evangelhos canónicos

Os evangelhos canónicos são constituídos por quatro narrativas, cada uma escrita por um autor diferente. O primeiro a ser escrito foi o Evangelho segundo Marcos (entre 60 e 75 d.C.), seguido pelo de Mateus (65-85 d.C.), o de Lucas (65-95 d.C.) e o de João (75-100 d.C.). Muitas vezes diferem em termos de conteúdo e cronologia dos eventos.

Três deles, Mateus, Marcos e Lucas, são conhecidos como Evangelhos sinópticos, a partir do grego σύν (syn "junto") e ὄψις (opsis "óptica") São semelhantes em conteúdo, composição da narrativa, linguagem e estrutura dos parágrafos. Os académicos geralmente concordam que é impossível encontrar qualquer relação direta entre os evangelhos sinópticos e o Evangelho segundo João. Enquanto que a sequência de alguns eventos da vida de Jesus, como o batismo, transfiguração, crucificação e interação com os apóstolos, são partilhados por todos os evangelhos sinópticos, alguns eventos, como a transfiguração, não aparecem no Evangelho de João, que também difere noutros temas, como a Limpeza do Templo.

A maior parte dos académicos concorda que os autores de Mateus e Lucas usaram Marcos como fonte ao escrever os seus evangelhos. Mateus e Lucas partilham também outro conteúdo que não se encontra em Marcos. Para explicar esta situação, muitos académicos acreditam que para além de Marcos, os dois autores recorreram a outra fonte – denominada Fonte Q.

De acordo com o ponto de vista da maioria, os evangelhos sinópticos são as fontes primárias de informação histórica sobre Jesus.(Sanders 1993, p. 73) No entanto, nem tudo o que está nos evangelhos é considerado verídico em termos históricos.(Sanders 1993, p. 3) Entre os elementos cuja autenticidade histórica é posta em causa estão a Natividade, a Ressurreição, a Ascensão, alguns dos milagres e o Julgamento no Sinédrio, entre outros. Os pontos de vista nos evangelhos variam entre decrições inerrantes da vida de Jesus a descrições que não dão qualquer informação histórica da sua vida.

No geral, os autores do Novo Testamento mostraram pouco interesse numa cronologia absoltuta da vida de Jesus ou em sincronizar os episódios da sua vida com a História secular do seu tempo. Tal como evidenciado em Citação: os evangelhos não pretendem fornecer uma lista exaustiva dos eventos na vida de Jesus. As narrativas foram escritas fundamentalmente enquanto documentos teológicos no contexto do Cristianismo primitivo, sendo as cronologias considerações secundárias. Uma das principais manifestações de que os evangelhos são documentos teológicos e não crónicas históricas é o facto de dedicarem mais de um terço do texto a apenas sete dias, nomeadamente à última semana de Jesus em Jerusalém, conhecida como Paixão. Embora os evangelhos não forneçam detalhes suficientes para satisfazer a exigência de historiadores contemporâneos no que diz respeito a datas precisas, é possível obter deles uma visão genérica da história de vida de Jesus.

Os evangelhos incluem diversos discursos de Jesus em ocasiões específicas, como o Sermão da Montanha e o Discurso de adeus. Também incluem mais de trinta parábolas ao longo da narrativa, muitas vezes sobre temas relacionados com os sermões. Os milagres realizados por Jesus ocupam grande parte dos evangelhos. Em Marcos, 31% do texto é dedicado aos seus milagres. As descrições dos milagres são muitas vezes acompanhadas por registos dos seus ensinamentos.

Genealogia e Natividade

As narrativas da genealogia e da natividade de Jesus no Novo Testamento só aparecem nos evangelhos de Lucas e Mateus, sendo estas as principais fontes de informação sobre o tema. Fora do Novo Testamento, existem documentos mais ou menos contemporâneos de Jesus e dos evangelhos, mas poucos são os que esclarecem detalhes biográficos da sua vida. Mateus começa o seu evangelho com a genealogia de Jesus (Mateus 1:1), antes de narrar o seu nascimento. Identifica a ascendência de Jesus até Abraão através de David. Lucas 3:22 discute a genealogia depois de descrever o batismo de Jesus, no qual uma voz celestial se dirige a Jesus e o identifica como o Filho de Deus. Lucas determina a ascendência desde Adão até Deus.

A Natividade é um elemento proeminente no Evangelho de Lucas, correspondente a 10% do texto e três vezes mais longo do que o texto da Natividade de Mateus. A narração de Lucas dá ênfase a acontecimentos anteriores ao nascimento de Jesus e foca-se em Maria, enquanto que Mateus narra acontecimentos posteriores ao nascimento e se foca em José. Ambos os textos afirmam que Jesus é filho de José e da sua noiva Maria e que nasceu em Belém, e ambos apoiam a doutrina do nascimento virginal de Jesus, segundo a qual Jesus foi concebido de forma milagrosa pelo Espírito Santo no ventre de Maria enquanto ainda era virgem.

Em Lucas 1:31, o arcanjo gabriel diz a Maria que ela irá conceber e carregar uma criança chamada Jesus por obra do Espírito Santo. Estando noivo de Maria, José fica preocupado com a sua gravidez (Mateus 1:19-20), mas no primeiro dos seus três sonhos, um anjo assegura-lhe que não tenha medo de casar com Maria, uma vez que a criança foi concebida pelo Espírito Santo. Quando se aproxima o momento do parto, Maria e José viajam de Nazaré até à casa de José em Belém para se registarem no censo ordenado por César Augusto. É aí que Maria dá à luz Jesus. Uma vez que não encontraram vaga na estalagem, o recém-nascido é colocado numa manjedoura (Lucas 2:1-7). Um anjo anuncia o nascimento a alguns pastores, que se deslocam a Belém para ver Jesus e posteriormente divulgar a notícia (Lucas 2:8-20). Depois de apresentarem Jesus no Tempo, a família regressa a Nazaré.83 85 Em Mateus 1:1-12, três reis magos do Oriente levam ofertas ao recém-nascido enquanto Rei dos Judeus. Herodes toma conhecimento do nascimento de Jesus e, pretendendo vê-lo morto, ordena a execução de todas as crianças do sexo masculino de Belém. No entanto, um anjo avisa José no seu segundo sonho, o que leva a família a fugir para o Egito, de onde mais tarde regressaria para se fixar em Nazaré.

Infância

Os evangelhos de Lucas e Mateus situam a casa de infância de Jesus na cidade de Nazaré na Galileia. José aparece nas descrições da sua infância, embora posteriormente não lhe seja feita qualquer referência. Os livros do Novo Testamento de Mateus, Marcos e a epístola aos Gálatas mecionam irmãos e irmãs de Jesus. No entanto, a palavra grega "adelfos" nestes versos pode trambém ser traduzida por "parente", em vez do mais comum "irmão". Originalmente escrito em grego helenístico, o Evangelho de Marcos refere em Marcos 6:3 que Jesus era um τέκτων (tekton), enquanto que Mateus 13:55 refere que ele próprio era filho de um tekton. Embora tradicionalmente tekton seja traduzido por "carpinteiro", tekton é um termo bastante genérico, da mesma raíz que está na origem de "técnico" e "tecnologia", e que pode ser aplicado a construtores de objetos nos mais diversos materiais e até mesmo a construtores. Para além das narrações do Novo Testamento, a associação de Jesus à carpintaria é constante em tradições dos séculos I e II . Justino (m. c. 165 d.C.) escreveu que Jesus fabricava arados e gadanhos. Os evangelhos indicam que Jesus era capaz de ler e debater textos, embora isto não signifique que tenha recebido qualquer formação.

Batismo e Tentação

Todas as narrativas do batismo de Jesus nos evangelhos são antecedidas por informações sobre o ministério de João Batista.(Blomberg 2009, pp. 224–229)(Köstenberger, Kellum & Quarles 2009, pp. 141–143)(McGrath 2006, pp. 16–22) Em todas, João é retratado a pregar a penitência e arrependimento para remissão dos pecados e a encorajar a oferta de esmolas aos pobres ((Lucas 3:11) enquanto batiza os crentes no Rio Jordão nas proximidades de Pereia, por volta da mesma altura em que Jesus inicia o seu ministério. O Evangelho de João (João 1:28 refere inicialmente "Betânia, e mais tarde (João 3:23) na margem oposta.

Nos evangelhos, refere-se que João tinha vindo a anunciar (Lucas 3:16) a chegada de alguém mais poderoso que ele, o que também é referido por Paulo de Tarso (Atos 19:4. Em Mateus 3:14, durante o encontro com Jesus, João afirma "Eu preciso de ser batizado por ti", embora seja persuadido por Jesus a ser ele a batizá-lo. Depois de o fazer e de Jesus emergir das águas, o céu abre-se e ouve-se uma voz celestial: "Este é o meu Filho amado, de quem me agrado" (Mateus 3:17). O Espírito Santo desce então até Jesus na forma de uma pomba. Este é um de dois eventos descrito nos evangelhos nos quais uma voz celestial chama a Jesus "Filho", sendo a outra a Transfiguração.

Após o batismo, os evangelhos sinópticos descrevem a Tentação de Cristo, na qual Jesus resista a tentações do Diabo enquanto jejua por quarenta dias e noites no deserto da Judeia O batismo e tentação de Jesus servem de preparação para o seu ministério público. O Evangelho de João não menciona nenhum dos eventos, embora inclua um testemunho de João no qual ele vê o Espírito a descer sobre Jesus (João 1:32).

Ministério público

Os evangelhos apresentam o ministério de João Batista enquanto precursor do ministério de Jesus. Iniciado com o seu batismo, Jesus dá início ao seu ministério nas áreas rurais da Judeia, perto do Rio Jordão, com cerca de trinta anos de idade (Lucas 3:23). Jesus viaja, prega e realiza milagres, completando o ministério durante a Última Ceia com os seus discípulos em Jerusalém.

No início do ministério, Jesus designa doze apóstolos. Em Mateus e Marcos, apesar de Jesus ser breve no pedido, descreve-se que os primeiros quatro apóstolos, que eram pescadores, imediatamente consentiram e abandonaram as suas redes e embarcações (Mateus 4:18-22, Marcos 1:16-20). Em João, os primeiros dois apóstolos de Jesus são descritos como tendo sido discípulos de João Batista. Ao ver Jesus, João denomina-o Cordeiro de Deus. Ao ouvir isto, os dois apóstolos seguem Jesus. Para além dos Doze Apóstolos, o início da passagem do Sermão da Planície identifica como discípulos um grupo muito maior de pessoas (Lucas 6:17). Ainda em Lucas 10:1-16, Jesus envia setenta ou setenta e dois discípulos em pares para preparar cidades para a sua visita. São-lhes dadas instruções para aceitar hospitalidade, curar os doentes e espalhar a palavra de que se aproxima o Reino de Deus.

Os académicos dividem o ministério de Jesus em diferentes períodos. O ministério da Galileia começa quando Jesus regressa à Galileia vindo do deserto da Judeia, depois de rejeitar a tentação de Satanás. Jesus prega na Galileia, e em Mateus 4:18-20 encontra-se com os seus primeiros discípulos, que o passam a acompanhar. Este período inclui o Sermão da Montanha, um dos principais discursos de Jesus, a calma da tempestade, a multiplicação dos pães e peixes, a caminhada sobre as águas e diversos milgares e parábolas. Termina com a Confissão de Pedro e a Transfiguração.

À medida que Jesus viaja em direção e Jerusalém, durante o ministério de Pereia, regressa ao local onde foi batizado, a cerca de um terço do caminho do Mar da Galileia ao longo do Jordão (João 10:40-42) O último ministério em Jerusalém tem início com a sua entrada triunfal na cidade durante o Domingo de Ramos. Nos evangelhos sinópticos, durante essa semana afasta os doleiros do Templo e Judas negoceia a sua traição. Este período culmina na Última Ceia e no Discurso de despedida.

Ensinamentos, sermões e milagres

Os ensinamentos de Jesus são muitas vezes analisados em termos de palavras e obras. As palavras incluem uma série de sermões, assim como parábolas que aparecem ao longo de toda a narrativa dos evangelhos sinópticos (o Evangelho de João não inclui parábolas). As obras contemplam os milagres e outras ações realizadas durante o ministério de Jesus. Embora os evangelhos canónicos sejam a principal fonte dos ensinamentos de Jesus, as epístolas paulinas oferecem alguns dos primeiros registos escritos.

O Evangelho de João apresenta os ensinamentos de Jesus não apenas enquanto sermões, mas também como revelação divina. João Batista, por exemplo, afirma em João 3:34: "Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações." Em João 7:16 Jesus afirma: "O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou.", o que confirma em João 14:10: "Não acredita que estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está a realizar a sua obra."

O Reino de Deus é um dos elementos chave dos ensinamentos de Jesus no Novo Testamento. Jesus promete a inclusão no Reino de todos aqueles que aceitarem a sua mensagem. Chama as pessoas a renegar os seus pecados e a se dedicarem completamente a Deus. Jesus pede aos seus seguidores para aderirem por completo à lei Judaica, embora haja quem considere que ele próprio tenha infringido a lei, por exemplo na questão do sabat.13 Quando questionado sobre qual seria o principal mandamento, Jesus responde: "Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento." … "E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo." (Mateus 22:37. Entre os diversos ensinamentos sobre ética de Jesus estão amar os inimigos, reprimir o ódio e a luxúria, e oferecer a outra face (Mateus 5:21-44).

As cerca de trinta parábolas dos evangelhos correspondem a cerca de um terço dos ensinamentos escritos de Jesus. As parábolas na narrativa aparecem com sermões mais longos e em locais diferentes. Muitas vezes apresentam elementos simbólicos e fazem a ponte entre os universos físico e espiritual. Entre os temas mais comuns das parábolas estão a bondade e generosidade de Deus e os riscos da transgressão. Algumas das parábolas, como a do Filho Pródigo (Lucas 15:11), são relativamente simples, enquanto outras, como a Parábola da Semente (Marcos 4:26-29), são de difícil compreensão.

Nos textos dos evangelhos, Jesus dedica grande parte do seu ministério à realização de milagres, especialmente curas. O conjunto dos quatro textos regista cerca de 35 ou 36 milagres. Os milagres podem ser classificados em duas principais categorias: milagres de cura e milagres de natureza. Os milagres de curas englobam curas para doenças físicas, exorcismos e ressurreições dos mortos. Os milagres de natureza demonstram o domínio de Jesus sobre a natureza, entre os quais a transformação de água em vinho, o caminhar sobre as águas e a acalmia de uma tempestade. Jesus afirma que os seus milagres têm origem divina. Quando os seus oponentes o acusam de praticar exorcismos com o poder de Satanás, príncepe dos demónios, Jesus responde que os pratica pelo "Espírito de Deus" (Mateus 12:28) ou "Dedo de Deus" (Lucas 11:20).

Em João, os milagres de Jesus são descritos como sinais, realizados com o intuito de demonstrar a sua missão e divindade. No entanto, nos sinópticos, quando lhe é pedido que dê alguns sinais miraculosos para demonstrar a sua autoridade, Jesus recusa. Ainda nos evangelhos sinópticos, é frequente a multidão reagir com deslumbramento e pressioná-lo para curar os doentes. Pelo contrário, o Evangelho de João indica que Jesus nunca fora pressionado pela multidão, e que esta muitas vezes respondia aos milagres com confiança e fé. Uma característica comum em todos os milagres de Jesus no texto dos evangelhos é que eram feitos de livre vontade e nunca por pedido ou a troco de qualquer forma de pagamento. Os episódios que contemplam descrições dos milagres de Jesus muitas vezes também incluem ensinamentos, enquanto os próprios milagres envolvem determinado elelemnto de ensino. Muitos dos milagres ensinam a importância da fé. Na cura dos leprosos e na ressurreição da filha de Jairo, por exemplo, é dito aos beneficiários que a sua cura se deveu à sua fé.

Proclamação de Cristo e Transfiguração

A cerca de metade do texto de cada um dos três Evangelhos, dois episódios relacionados entre si marcam um ponto de charneira na narrativa: a confissão de São Pedro e a Transfiguração de Jesus. Ambos têm lugar perto de Cesareia de Filipe, ligeiramente a norte do Mar da Galileia, durante o início da viagem final para Jerusalém que termina na Paixão e Ressurreição de Jesus. Estes eventos marcam o início da revelação progressiva da identidade de Jesus aos seus discípulos e a sua previsão do seu próprio sofrimento e morte.

A Confissão de Pedro começa com um diálogo entre Jesus e os seus discípulos em Mateus 16:13, Marcos 8:27 e Lucas 9:18. Em Mateus, Jesus pergunta aos discípulos: "E vós, quem dizeis que eu sou?". São Pedro responde "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." Jesus responde: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas o meu Pai, que está nos céus." Com esta bênção, Jesus afirma que os títulos que Pedro lhe atribui são revelados de forma divina, desta forma declarando inequivocamente ser tanto Cristo como o Filho de Deus.

O texto da Transfiguração aparece em Mateus 17:1-9, Marcos 9:2 e Lucas 9:28-36. Jesus leva Pedro e dois apóstolos para uma montanha sem nome, onde se "transfigurou diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz." Uma nuvem brilhante aparece à sua volta, ouvindo-se uma voz celestial: "Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o." (Mateus 17:1-9). A Transfiguração confirma que Jesus é o Filho de Deus (tal como no seu batismo), e o pedido "escutai-o" identifica-o como mensageiro e porta-voz de Deus.

Última semana: traição, prisão, julgamento e morte

A descrição da última semana de vida de Jesus, frequentemente chamada semana de Páscoa, ocupa cerca de um terço da narrativa nos evangelhos canónicos, tendo início com a descrição da entrada triunfal em Jerusalém e terminando com a Crucificação. A última semana em Jerusalém é a conclusão da jornada que atravessou Pereia e a Judeia que Jesus iniciou na Galileia. Pouco antes da entrada em Jerusalém, o Evangelho de João inclui a Ressurreição de Lázaro, a qual aumenta a tensão entre Jesus e as autoridades.

Entrada final em Jerusalém

Nos quatro evangelhos canónicos, a entrada final de Jesus em Jerusalém tem lugar durante o início da última semana da dua vida, poucos diantes antes da Última Ceia, marcando o início da narrativa da Paixão. Marcos e João identificam o dia da entrada em Jerusalém como sendo domingo, enquanto que Mateus indica que foi a uma segunda; Lucas não indica o dia. Depois de deixar Betânia, Jesus monta num burro em direção a Jerusalém. Pelo caminho, a população estende à sua frente capas e pequenos ramos, ao mesmo tempo que canta parte dos Salmos 118:25-26 A multidão em ânimo que saudava Jesus ao entrar em Jerusalém ajudou a aumentar a animosidade entre ele e as instituições locais.

Nos três evangelhos sinópticos, à entrada em Jerusalém segue-se a Purificação do Templo, durante a qual Jesus expulsa os cambistas do templo, acusando-os de o terem tornado um covil de ladrões através das suas atividades comerciais. Este é o único relato de todos os evangelhos em que Jesus recorre a força física. João 2:13 inclui uma narração semelhante decorrida muito mais cedo, pelo que existe debate entre académicos sobre se a passagem se refere ao mesmo episódio. Os sinópticos descrevem uma série de parábolas e sermões bastante conhecidos, como o Tostão da Viúva ou a Profecia da Segunda Vinda, que decorreram ao longo dessa semana.

Os sinópticos registam episódios de conflitos entre Jesus e os anciãos Judeus durante a Semana Santa, como a autoridade de Jesus questionada e as críticas aos fariseus, nos quais Jesus os critica e acusa de hipocrisia. Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos, aborda os anciãos e negoceia o pagamento de uma recompensa de trinta moedas de prata, pela qual se compromete a trair Jesus e a entregá-lo às autoridades.

Última Ceia

A Última Ceia é a última refeição que Jesus partilha com os seus doze apóstolos em Jerusalém antes da sua crucificação. A Última Ceia é mencionada nos quatro evangelhos canónicos, sendo também referida na Primeira Epístola aos Coríntios de Paulo (Coríntios 11:23). Durante a refeição, Jesus prevê que um de seus apóstolos o trairá. Apesar de cada apóstolo ter afirmado que não o iria trair, Jesus reitera que o traidor seria um dos presentes. Mateus 26:23-25 e João 13:26-27 identificam especificamente Judas como traidor.

Nos sinópticos, Jesus reparte o pão pelos discípulos ao mesmo tempo que diz: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim." Depois fê-los beber vinho por um cálice, dizendo: "Este cálice é o novo pacto no meu sangue, que é derramado por vós." (Lucas 22:19-20). O sacramento cristão da Eucaristia baseia-se neste evento. Embora o Evangelho de João não inclua uma descrição do ritual do pão e do vinho durante a Última Ceia, a maior parte dos académicos concorda que o Discurso do Pão da Vida (João 6:58-59) possui um carácter eucarístico e se relaciona com as narrativas dos evangelhos sinópticos e com os textos de Paulo sobre a Última Ceia.

Em todos os evangelhos, Jesus prevê que Pedro negará que o conhece por três vezes antes de o galo cantar na manhã seguinte. Em Lucas e João, a profecia é feita durante a Ceia (Lucas 22:34), João 22:33). Em Mateus e Marcos, a profecia é feita após a Ceia, sendo também profetizado que Jesus será abandonado por todos os seus discípulos (Mateus 26:31-34, Marcos 14:27-30) O Evangelho de João oferece o único relato de Jesus a lavar os pés dos discípulos antes da refeição. João também inclui um longo sermão de Jesus, preparando os discípulos (agora sem Judas) para a sua partida. Os capítulos 14 a 17 do Evangelho de João são conhecidos por Discurso de despedida e são uma fonte significativa de conteúdos cristológicos.

Agonia no Jardim, traição e prisão

Após a Última Ceia, Jesus dá um passeio para rezar, acompanhado pelos discípulos. Mateus e Marcos identificam o local como sendo o jardim do Getsémani, enquanto Lucas o identifica como sendo o Monte das Oliveiras. Judas aparece no jardim acompanhado por uma multidão, entre a qual se encontram clérigos judaicos, anciãos e pessoas armadas. Judas beija Jesus para o identificar à multidão, que então o prende. Tentando impedi-los, um dos discípulos de Jesus empunha uma espada para cortar a orelha de um homem. Lucas afirma que Jesus cura a ferida por milagre, enquanto João e Mateus afirmam que Jesus critica o ato violento, ao mesmo tempo que incentiva os discípulos a não resistir à prisão. Em Mateus 26:52 Jesus afirma: "Todos os que empunham a espada, pela espada morrerão." Após a prisão de Jesus, os seus discípulos escondem-se e Pedro, quando interrogado, por três vezes nega conhecer Jesus. Após a terceira negação ouve-se o galo cantar e Pedro, ao se lembrar da profecia, chora em amargura.

Julgamentos pelo Sinédrio, Herodes e Pilatos

Depois de ser preso, Jesus é levado para o Sinédrio, um corpo jurídico judaico. O texto dos evangelhos difere nos detalhes dos julgamentos. Em Mateus 26:57, Marcos 14:53 e Lucas 22:54, Jesus é levado para a casa do sacerdote Caifás, onde é espancado durante a noite. De manhã cedo, os clérigos e escribas levam Jesus ao tribunal. João 18:12-14 afirma que Jesus é levado primeiro a Anás, sogro de Caifás, e depois ao sumo sacerdote.

Durante os julgamentos, Jesus pouco falou, não articulou nenhuma defesa e respondeu de forma vaga às questões dos clérigos, o que levou um oficial a o esbofetar. Em Mateus 26:62, a falta de resposta de Jesus leva a que Caifás lhe pergunte: "Não tens resposta?" Em Marcos 14:61 o sumo sacerdote pergunta a Jesus: "És Tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?". Jesus responde "Sou", e em seguida profetiza a vinda do Filho do Homem. Esta provocação faz com que Caifás se irrite e rasgue a própria túnica, acusando Jesus de blasfémia. Em Mateus e Lucas, a resposta de Jesus é mais ambígua. Em Mateus 26:64 responde: "Tu mesmo o disseste", e em Lucas 22:70 diz: "Vós dizéis que eu sou".

Ao levar Jesus para o tribunal de Pilatos, os anciãos pedem ao governador que julgue e condene Jesus, acusando-o de se proclamar o Rei dos Judeus. O uso do termo "rei" é essencial na discussão entre Jesus e Pilatos. Em João 18:36 Jesus declara: "O meu reino não é deste mundo", mas não nega inequivocamente ser o Rei dos Judeus. Em Lucas 23:7-15 Pilatos apercebe-se que Jesus é um galileu, estando portanto na jurisdição de Herodes. Pilatos envia Jesus a Herodes para ser julgado, mas este mantém o silêncio face às perguntas de Herodes. Herodes e os seus soldados escarnecem Jesus, vestem-lhe um manto luxuoso para o fazer parecer um rei, e levam-no de volta a Pilatos, que reúne os anciãos e anuncia que não considerava este homem culpado.

De acordo com um costume da época, Pilatos permite que a multidão escolha um prisioneiro para ser libertado. Dá a escolher entre Jesus e um assassino chamado Barrabás. Persuadida pelos anciãos (Mateus 27:20), a multidão escolhe libertar Barrabás e crucificar Jesus. Pilatos escreve um sinal onde se lê: "Jesus da nazaré, Rei dos Judeus", abreviado para INRI nas representações do tema, para ser afixado na cruz de Jesus (João 19:9), tendo em seguida flagelado e enviado Jesus para ser crucificado. Os soldados colocaram-lhe na cabeça uma Coroa de Espinhos, ridicularizando-o como Rei dos Judeus, e espancando-o antes de o levarem para o Calvário para ser crucificado.

Crucificação e deposição

A crucificação de Jesus é descrita nos quatro evangelhos canónicos. Depois dos julgamentos, Jesus é levado para o Calvário carregando a cruz. O caminho que se pensa ter sido usado é conhecido por Via Dolorosa. Os três evangelhos sinópticos indicam que Simão de Cirene foi obrigado pelos romanos a ajudar Jesus. Em Lucas 23:27-28 Jesus diz às mulheres no meio da multidão que o segue para não chorarem por ele, mas por si próprias e pelas suas crianças. No Calvário, oferecem a Jesus um preparado analgésico. De acordo com Mateus e Marcos, Jesus recusa.

Os soldados crucificam Jesus e removeram a sua roupa. Acima da sua cabeça na cruz estava a incrição de Pilatos, "Jesus da Nazaré, Rei dos Judeus", ridicularizada por soldados e pessoas que passavam a pé. Jesus é crucificado entre dois ladrões condenados, um dos quais ataca Jesus enquanto outro o defende. Os soldados romanos partem as pernas a ambos os ladrões, uma técnica usada para acelerar a morte na cruz, mas não chegam a partir as de Jesus, uma vez que já se encontra morto. Em João 19:34, um soldado perfura Jesus com uma lança, de cuja ferida brota água. Em Mateus 27:51-54, quando Jesus morre, a cortina pesada do Templo volve-se e um terramoto abre os túmulos. Aterrorizado pelo evento, um centurião romano afirma que Jesus era de facto o Filho de Deus.

No mesmo dia, José de Arimateia, com a permissão de Pilatos e a ajuda de Nicodemus, remove o corpo de Jesus da cruz, envolve-o em roupas lavadas e enterra-o num túmulo de pedra talhada. Em Mateus 27:62, no dia seguinte os judeus pedem a Pilatos para o túmulo ser selado com uma pedra e vigiado, de modo a assegurar que o corpo aí permenece.

Ressurreição e ascensão

O texto do Novo Testamento sobre a ressurreição de Jesus afirma que no primeiro dia da semana após a crucificação (geralmente interpretado como sendo o domingo) o seu túmulo foi descoberto vazio e que os seus discípulos o encontram ressuscitado dentre os mortos. Os discípulos chegaram ao túmulo de manhã cedo e encontram um ou dois seres (homens ou anjos) vestidos com túnicas brancas. Marcos 16:9 e João 20:15 indicam que Jesus aparece primeiro a Maria Madalena, e Lucas 24:1 afirma que ela é uma dos mirróforos.

Depois de descobrirem o túmulo vazio, Jesus realiza uma série de aparições aos discípulos. Entre elas está a Dúvida de Tomé e a aparição na estrada aos Emaús, em que Jesus encontra dois discípulos. A segunda pesca milagrosa é um milagre no Mar da Galileia, após o qual Jesus encoraja Pedro a servir os seus seguidores.

Antes de ascender ao Céu, Jesus instrui os discípulos a espalhar a palavra sobre os seus ensinamentos em todas as nações do mundo. Lucas 24:51 afirma que Jesus é então levado ao Céu. O relato da ascensão é elaborado em Atos 1:1-11 e mencionado em Timótio 3:16. Nos Atos, quarenta dias depois da Ressurreição, quando os discípulos olham para cima, encontram Jesus elevado, tendo sido levado por uma nuvem. Pedro 3:22 afirma que Jesus foi levado para o Céu e é agora a mão direita de Deus.

Os Atos dos Apóstolos descrevem várias aparições de Jesus em visões após a sua Ascensão. Atos 7:55 descreve uma visão vivenciada por Santo Estêvão pouco antes de morrer. Na estrada para Damasco, o apóstolo Paul é convertido ao Cristianismo depois da visão de uma luz ofuscante e de ter ouvido uma voz dizer: "Sou Jesus, quem tu persegues" (Atos 9:5). Em Atos 9:10-18, Jesus instrui Ananias de Damasco a curar Paulo. É o último diálogo com Jesus citado na Bíblia até ao Livro da Revelação, no qual um homem chamado João vivencia uma revelação de Jesus sobre os últimos dias.

Perspetiva histórica

Até ao Iluminismo os evangelhos eram geralmente vistos como relatos históricos precisos, tendo a partir de então surgido interrogações sobre a sua fiabilidade por parte de académicos e uma distinção entre o Jesus descrito nos evangelhos e o Jesus na História. A partir do século XVIII começam a ter lugar três vertentes de pesquisa académica sobre o Jesus histórico, cada uma com diferentes características e com base em diferentes critérios de investigação, os quais são muitas vezes elaborados durante a investigação que os aplica. Os académicos têm vindo a estudar e debater uma série de questões no que diz respeito a Jesus histórico, como a sua existência, origem, fiabilidade histórica dos evangelhos e de outras fontes e um retrato preciso da figura histórica.

Existência

A teoria do mito de Cristo, que questiona a existência de Jesus e a veracidade dos relatos sobre si, apareceu no século XVIII. Alguns dos apoiantes argumentam que Jesus é um mito inventado pelos primeiros cristãos, salientando a inexistência de quaisquer referências escritas a Jesus durante a sua vida e a relativa escassez de referências fora do contexto cristão durante o século I. Ao longo do século XX, académicos como George Albert Wells, Robert M. Price e Thomas Brodie têm apresentando vários argumentos que apoiam a teoria do mito de Cristo. No entanto, na atualidade praticamente todos os académicos que estudam a Antiguidade concordam que Jesus existiu e encaram determinados eventos, como o seu batismo e crucificação, como factos históricos. Robert E. Van Voorst e Michael Grant afirmam que os investigadores bíblicos e historiadores clássicos vêm as teorias da inexistência de Jesus como efetivamente refutadas.

Em resposta ao argumento de que a inexistência de fontes contemporâneas significa que Jesus não existiu, Van Voorst afirmou que "tal como é do conhecimento de qualquer estudante de História", tais argumentos pelo silêncio são "particularmente perigosos". e geralmente fracassam, a não ser que um facto seja conhecido pelo autor e relevante o suficiente para ser mencionado no contexto de um documento. Bart D. Ehrman argumenta que embora Jesus tenha tido um enorme impacto em gerações futuras, o seu impacto na sociedade do seu tempo foi praticamente nulo. Seria portanto insensato esperar que existissem textos contemporâneos das suas ações.

Ehrman refere que argumentos baseados na inexistência de evidências físicas ou arqueológicas de Jesus ou de quaisquer textos sobre si são fracos, uma vez que também não existem tais evidências de "praticamente ninguém que tenha vivido durante o século I". Teresa Okure escreveu que a existência de figuras históricas é estabelecida pela análise de referências que lhes sejam posteriores, e não por relíquias ou restos contemporâneos.272 Diversos académicos referem o perigo de usar tais argumentos pela ignorância e geralmente consideram-nos inconclusivos ou falaciosos. Douglas Walton afirma que argumentos pela ignorância são capazes de levar a conclusões apenas em casos onde se assume que toda a nossa base de conhecimento está completa.

Entre as fontes fora do contexto cristão para determinar a existência histórica de Jesus está a obra dos historiadores do século I Josefo e Tácito. Louis H. Feldman, investigador de Josefo, afirmou que "poucos duvidaram da autenticidade" da referência de Josefo a Jesus no livro 20 de Antiguidades Judaicas, e tal facto é disputado apenas por um número muito reduzido de académicos. Tácito refer-se a cristo e à sua execução por Pilatos no livro 15 da sua obra Anais. Os académicos geralmente consideram que a referência de Tácito à execução de Jesus seja simultâneamente autêntica e de valor histórico enquanto fonte independente romana.

Historicidade dos eventos

A abordagem à reconstituição histórica da vida de Jesus varia entre as abordagens maximalistas do século XIX, nas quais os relatos dos evangelhos eram aceites como evidências fiáveis sempre que possível, e as abordagens minimalistas do início do século XX, nas quais era muito difícil qualquer coisa sobre Jesus ser aceite como histórica. Na década de 1950, à medida que toma lugar a segunda procura pelo Jesus histórico, a abordagem minimalista vai desaparecendo até que, no século XXI, minimalistas como Price são uma pequena minoria. Embora a crença na infalibilidade dos evangelhos não possa ser sustentada em termos históricos, muitos académicos desde a década de 1980 sustentam que, para além dos poucos factos que se considera serem historicamente válidos, há outros elementos da vida que Jesus que são "historicamente prováveis" Modern scholarly research on the historical Jesus thus focuses on identifying the most probable elements.

A maior parte dos académicos modernos considera que o batismo e a crucificação de Jesus são inequivocamente factos históricos. James Dunn afirma que são factos quase universalmente aceites e que "se classificam tão alto na escala dos factos históricos dos quais é impossível duvidar ou renegar" que são quase sempre o ponto de partida para o estudo do Jesus histórico. Os académicos citam o critério do embaraço, afirmando que os primeiros cristãos não teriam inventado a morte dolorosa do seu líder, ou um batismo que pudesse implicar que Jesus teria cometido pecados dos quais se quisesse arrepender. Os académicos usam uma série de critérios para julgar a autenticidade histórica dos eventos, como o critério de coerência, a confirmação por múltiplas fontes e o critério de descontinuidade. A historicidade de um evento depende também da fiabilidade da fonte. Marcos, o primeiro evangelho a ser escrito, é geralmente considerado o mais fiável em termos históricos. João, o último evagelho escrito, difere consideravelmente dos evangelhos sinópticos, sendo por isso considerado o menos fiável. Por exemplo, muitos académicos não consideram que a Ressurreição de Lázaro seja histórica devido, em parte, a ser apenas mencionada em João. Amy-Jill Levine refere que existe algum consenso nos traços gerais da biografia de Jesus, e que a maior parte dos académicos concorda que Jesus foi batizado por João Batista, debateu com as autoridades judaicas o tema de Deus, curou algumas pessoas, ensinou através de parábolas, angariou seguidores e foi crucificado por ordem de Pilatos.

Retratos de Jesus

A investigação moderna sobre o Jesus histórico não produziu ainda um perfil unificado da figura histórica, devido em parte à diversidade de abordagens entre os académicos. Ben Witherington afirma que "existem agora tantos retratos do Jesus histórico como existem pintores académicos". Bart Ehrman e Andreas Köstenberger argumentam que dada a escassez de fontes históricas, é difícil para qualquer académico construir um perfil de Jesus para além dos elementos básicos da sua biografia que possa ser considerado válido em termos históricos. Os perfis de Jesus construídos muitas vezes diferem entre si e da imagem retratada nos evanelhos.

Os perfis mais divulgados na investigação contemporânea podem ser agrupados segundo a forma principal como Jesus é retratado: se um profeta apocalíptico, um curandeiro carismático, um filósofo cínico, o verdadeiro Messias ou um profeta igualitário de mudanças sociais. Cada um destes tipos tem uma série de variantes, e alguns académicos rejeitos os elementos básicos de alguns perfis. No entanto, os atributos descritos em cada um dos perfis por vezes sobrepõem-se, e os investigadores que discordam de alguns atributos por vezes concordarm com outros.

Língua, etnia e aparência

Jesus cresceu na Galileia, sendo nessa região que grande parte do seu ministério teve lugar. Entre as línguas faladas na Galileia e Judeia durante o primeiro século d.C. estão o aramaico, hebraico e grego, sendo o aramaico predominante. A maior parte dos académicos concorda que no início do século, o aramaico era a língua-mãe de praticamente todas as mulheres na Galileia e Judeia. Maioa parte dos académicos apoia a teoria de que Jesus falava aramaico, podendo também ter falado hebraico e grego. Dunn afirma que há um consenso substancial de que Jesus tenha pregado em aramaico.

Os académicos modernos concordam que Jesus era Judeu. No entanto, numa revisão do estado da arte do conhecimento contemporâneo, Levine escreve que toda a questão da etnia está "carregada de questões difíceis" e que "para além de reconhecer que «Jesus era Judeu», raramente a investigação esclarece o que significa «ser Judeu».

O Novo Testamento não fornece nenhuma descrição da aparência física de Jesus antes da sua morte, sendo na generalidade indiferente à questão da raça e nunca se referindo aos traços das pessoas que menciona. O Livro do Apocalipse descreve numa visão as feições de Jesus glorificado (Revelação 1:13-16) mas a visão refere-se a Jesus numa forma divina, já depois da sua morte e ressurreição. Provavelmente, Jesus assemelhar-se-ia a qualquer Judeu seu contemporâneo e, de acordo com alguns investigadores, seria provável que tivesse uma aparência musculada devido ao seu estilo de vida itinerante e ascético. James H. Charlesworth afirma que o rosto de Jesus era "provavelmente de tez escura e bronzeada" e que a sua estatura "pode ter sido de 1,65 a 1,70 m."

Arqueologia

Apesar da inexistência de vestígios arqueológicos que sejam indubitavelmente associados a Jesus, a investigação no século XXI tem-se interessado cada vez mais por recorrer à arqueologia de modo a obter maior compreensão do contexto sócio-económico e político da vida de Jesus. Charlesworth afirma que hoje em dia poucos investigadores seriam capazes de ignorar algumas descobertas arqueológicas que fornecem dados sobre o quotidiano da Galileia e Judeia durante a época de Jesus. Jonathan Reed afirma que a principal contribuição da arqueologia para o estudo do Jesus histórico é a reconstrução do seu mundo social.

David Gowler afirma que o estudo interdisciplinar com recurso a arqueologia, análise textual e contexto histório pode esclarecer determinados aspetos sobre Jesus na História. Um exemplo são as investigações arqueológicas em Cafarnaum, uma cidade bastante referida no Novo Testamento, mas da qual se fornecem poucos detalhes. No entanto, as evidências arqueológicas recentes mostram que, ao contrário do que se acreditava, Cafarnaum era pequena e relativamente pobre, sem sequer um fórum ou ágora. Esta descoberta arqueológica apoia a perpetiva académica de que Jesus advogava a partilha de riequeza entre os mais desfavorecidos naquela região da galileia.

Perspetivas religiosas

À exceção dos seus próprios discípulos e seguidores, os Judeus contemporâneos de Jesus rejeitavam a crença de que ele pudesse ser o Messias, tal como é ainda rejeitada hoje em dia pela grande maioria dos Judeus. Ao longo dos séculos, Jesus tem sido tema de amplo debate e inúmeras publicações por parte de teólogos, concílios ecuménicos e reformistas. As denominações cristãs e cismas são muitas vezes definidos ou caracterizados em função da descrição que apresentam de Jesus. Ao mesmo tempo, Jesus tem um papel proeminente entre crentes de outras religiões, como os maniqueístas, gnósticos e muçulmanos.

Perspetivas cristãs

Jesus é a figura central do Cristianismo. Embora entre os cristãos haja diferentes pontos de vista sobre Jesus, é possível resumir as crenças partilhadas entre as principais denominações de acordo com os seus textos. Os pontos de vista cristãos sobre Jesus têm origem em várias fontes, entre as quais os evangelhos canónicos e cartas do Novo Testamento, como as epístolas Paulinas e os documentos Joaninos. Estes documentos resumem as crenças fundamentais sobre Jesus por parte dos cristãos, incluindo a sua divindade, humanidade e vida terrena, e que é Cristo e o Filho de Deus. Apesar de partilharem grande parte das crenças, nem todas as denominações cristãs concordam com todas as doutrinas, e existem várias diferenças entre si em termos de crença e ensinamentos que persistiram ao longo de séculos.341

O Novo Testamento afirma que a ressurreição de Jesus é o fundamento da fé cristã (Coríntios 15:12). Os cristãos acreditam que pela sua morte e ressurreição, os seres humanos se podem reconciliar com Deus, sendo-lhes oferecida salvação e a promessa de vida eterna. Recordando as palavras de João Batista a seguir ao batismo de Jesus, estas doutrinas por vezes denominam-no Cordeiro de Deus, por ter sido sacrificado para cumprir o seu papel enquanto servo de Deus. Jesus é assim visto como o novo e último Adão, cuja obediência contrasta com a desobediência de Adão. Os cristãos veem Jesus como um modelo de vida, sendo encorajados a imitar a sua vida focada em Deus.

Muitos cristãos acreditam que Jesus foi ao mesmo tempo humano e o Filho de Deus. Embora a sua natureza seja alvo de debate teológico, Os cristãos trinatários acreditam que Jesus é o Logos, a encarnação de Deus e Deus, o Filho, simultâneamente divinal e humano. No entanto, a doutrina da Trindade não é universalmente aceite entre os cristãos. Os cristãos veneram não apenas Jesus, mas também o seu nome. A devoção ao Santo Nome de Jesus remonta aos primeiros dias do cristianismo. Estas devoções e comemorações existem tanto no cristianismo ocidental como no oriental.

Perspetivas judaicas

A corrente dominante do Judaísmo rejeita a proposta de Jesus ser Deus, um mediador de Deus, ou parte de uma Trindade. Argumenta que Jesus não é o Messias por não ter nem realizado as profecias messiânicas do ‘’Tanach’’ nem apresentar as qualificações pessoas do Messias. De acordo com a tradição Judaica, não houve qualquer profeta após Malaquias, que enunciou as profecias no século V a.C. Um grupo denominado judaísmo messiânico considera Jesus o Messias, embora seja disputado se este grupo corresponde ou não a uma seita do Judaísmo. A crítica do Judaísmo a Jesus é de longa data. O Novo Testamento afirma que Jesus foi criticado pelas autoridades judaicas do seu tempo. Os fariseus e escribas criticavam Jesus e os seus discípulos por não respeitarem a Lei de Moisés, por não lavarem as mãos antes das refeições (Marcos 7:1-23, Mateus 15:1-20) e por apanharem cereais durante o sabat (Marcos 2:23, Marcos 3:6). O Talmude, escrito e compilado entre os séculos III e V d.C., inclui narrativas que alguns consideram ser relatos de Jesus. Numa dessas narrativas, Yeshu ha-nozri (“Jesus, o Cristão”) é executado por um tribunal judaico por promover idolatria e praticar magia. Há um amplo espectro de opiniões entre académicos no que respeita a estas narrações. A maioria dos historiadores contemporâneos consideram que este material não oferece qualquer informação do Jesus histórico. A ‘’Mishné Torá’’, uma obra de lei judaica escrita por Maimónides em finais do século XII, afirma que Jesus é uma “força de bloqueio” que “faz com que a maioria do mundo peque e sirva outro deus que não o verdadeiro”.

Perspetiva islâmica

O islão considera Jesus (“Isa”) um mensageiro de Deus (Alá) e o Messias (‘’al-Masih’’) enviado para guiar as tribos de Israel (bani isra'il) através de novas escrituras, o Evangelho (‘’Ingil’’). Os muçulmanos não reconhecem a autenticidade do Novo Testamento e acreditam que a mensagem original de Jesus foi perdida, sendo mais tarde reposta por Maomé. A crença em Jesus, e em todos os outros mensageiros de Deus, faz parte dos requisitos para ser um muçulmano. O Alcorão menciona o nome de Jesus vinte e cinco vezes, mais do que o próprio Maomé, e enfatiza que Jesus foi também um ser humano mortal que, tal como todos os outros profetas, foi escolhido de forma divina para divulgar a mensagem de Deus. No entanto, o Islão considera que Jesus nem é a encarnação nem o filho de Deus. Os textos islâmicos sublinham a noção estrita de monoteísmo (‘’tawhid’’) e proíbem a associação de elementos a Deus, o que seria considerado idolatria. O Alcorão refere que o próprio Jesus nunca alegou ser divino, e profetiza que durante o julgamento final, Jesus negará ter alguma vez alegado tal (Alcorão 5:116). Tal como todos os profetas do islão, Jesus é considerado um muçulmano, acreditando-se que tenha pregado que os seus seguidores deveriam prosseguir um modo de vida correto, conforme ordenado por Deus.

O Alcorão não menciona José, mas descreve a Anunciação a Maria (‘’Mariam’’), na qual um anjo a informa de que daria à luz Jesus ao mesmo tempo que permaneceria virgem. O nascimento virginal é descrito como milagre realizado pela vontade de Deus. O Alcorão (21:91 e 66:12) afirma que Deus soprou o Seu Espírito a Maria enquanto era ainda casta. No Islão, Jesus é denominado “Espírito de Deus” por ter nascido através da ação do Espírito, embora essa crença não inclua a doutrina da Sua preexistência, como acontece no Cristianismo.

Os muçulmanos acreditam que Jesus foi o último profeta enviado por Deus para guiar os Israelitas. Para o auxiliar o seu ministério entre os Judeus, Deus teria dado permissão a Jesus para realizar milagres. Jesus é visto como precursor de Moamé e os muçulmanos acreditam que previu a sua chegada. Os muçulmanos negam que Jesus tenha sido crucificado, que tenha ressuscitado dos mortos ou que se tenha sacrificado pelos pecados da Humanidade. De acordo com a tradição muçulmana, Jesus não foi crucificado, mas foi erguido fisicamente por Deus para o Paraíso. A Comunidade Ahmadi acredita que Jesus foi um mortal que sobreviveu à sua própria crucificação e morreu de causas naturais aos 120 anos em Caxemira. A maior parte dos muçulmanos acredita que Jesus regressará à terra pouco depois do Juízo Final para derrotar o Anticristo (‘’dajjal’’).

Perspetiva Bahá'í

Os ensinamentos da fé bahá'í consideram Jesus uma manifestação de Deus, um conceito Bahá para profetas, intermediários entre Deus e a humanidade que atuam como mensageiros e refletem as qualidades e atributos de Deus. O conceito Bahá dá ênfase às qualidades simultâneas de humanidade e divindade, sendo assim semelhante ao conceito cristão da encarnação. A Fé Bahá’í aceita Jesus enquanto Filho de Deus. Embora no pensamento Bahá Jesus tenha sido a encarnação perfeita dos atributos de Deus, os ensinamentos rejeitam a ideia de que essa divindade tenha estado delikitada por um único corpo humano, afirmando que, pelo contrário, Deus transcende a realidade física.

Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá’í, escreveu que uma vez que cada manifestação de Deus tem os mesmos atributos divinos, cada uma pode ser vista enquanto regresso espiritual de todas as manifestações anteriores, e que a aparição de cada nova manifestação dá início a uma religião que suplanta as anteriores, um conceito denominado revelação progressiva. Os crentes acreditam que o plano de Deus se revela de forma gradual ao longo deste processo à medida que a humanidade amadurece, e que algumas das manifestações aparecem com a missão de completar as missões das anteriores. Desta forma, os crentes Bahá acreditam que Bahá'u'lláh seja o regresso prometido de Cristo. Os textos Bahá’í confirmam muitos, mas não todos, os aspetos do Jesus retratado nos evangelhos. Os crentes acreditam no nascimento virginal e na crucificação, mas interpretam a ressurreição e os milagres de Jesus como meramente simbólicos.

Outras perspetivas

No gnosticismo, hoje em dia uma religião praticamente extinta, Jesus foi enviado do reino divino para oferecer o conhecimento secreto essencial para a salvação (gnose). A maior parte dos gnósticos acreditavam que Jesus era um humano que foi possuído pelo espírito de Cristo durante o natismo. O espírito abandonou o corpo de Jesus durante a crucificação, mas mais tarde ressuscitou o corpo do mundo dos mortos. No entanto, alguns gnósticos eram docéticos , acreditando que Jesus não teve qualquer corpo físico, apenas aparentando ter um. O maniqueísmo, uma seita gnóstica, aceitava Jesus enquanto profeta, a par de Siddhartha Gautama e Zaratustra.

Alguns hinduístas consideram que Jesus seja um avatar ou um ‘’sadhu’’ e enumeram várias semelhanças entre os ensinamentos de Jesus e os do hinduísmo. Paramahansa Yogananda, um guru hinduísta, afirmou que Jesus foi a reencarnação de Eliseu e aluno de João Batista, reencarnação de Elias.397 Alguns budistas, entre os quais Tenzin Gyatso, XIV Dalai Lama, veem Jesus como um ’’bodisatva’’ que dedicou a vida ao bem-estar do próximo. O movimento ‘’New Age’’ engloba diversos pontos de vista diferentes sobre Jesus. A Teosofia, a partir d qual derivam muitos textos new age, refere-se a Jesus como Mestre Jesus e acredita que Cristo, depois de várias reencarnações, ocupou o corpo de Jesus. A cientologia reconhece Jesus (a par de outras figuras religiosas como Zaratustra, Maomé e Buda) como parte da sua herança religiosa. O ateísmo rejeita a divindade de Jesus, embora muitos ateus tenham sobre ele uma perspetiva positiva; Richard Dawkins, por exemplo, refere-se a Jesus como um excelente mestre de moral.

Entre os críticos de Jesus estão Celsus no século II e Porfírio, o qual escreveu uma obra em quinze volumes na qual criticava o Cristianismo no seu todo. No século XIX, Nietzsche foi um dos mais críticos em relação a Jesus, cujos ensinamentos considerava serem antinatura no que diz respeito a tópicos como a sexualidade. Já no século XX, Bertrand Russell escreveu em Why I Am Not a Christian que Jesus “não foi tão sábio como outras pessoas, e com certeza não o foi de forma tão superlativa”.

Relíquias de Jesus

Segundo a tradição católica e ortodoxa, que não foi aceita pelos protestantes, existem muitas relíquias atribuídas a Jesus. É discutido que algumas dessas relíquias sejam falsificações medievais.

Na contemporaneidade, a mais conhecida, estudada e discutida relíquia de Jesus é talvez o Sudário (σινδών, sindón, que significa "pano" em grego), atualmente armazenados em Turim e de posse pessoal do Papa. Segundo a tradição, é o pano em que estava envolto o corpo de Jesus no túmulo. O tecido é de linho e mede 442 x 113 cm. Apresenta uma dupla imagem (frente e verso) de um homem com barba, bigode e cabelos compridos, ostentando as marcas no corpo correspondente à descrição da paixão: marcas de flagelação, a coroa de espinhos, mãos e pés perfurados por pregos e a ferida por lança ao lado. O quadro não é uma pintura, mas o resultado de um gradual amarelecimento da fibra têxtil - como se fosse um negativo de um filme fotográfico. Na parte mais profunda das feridas há vestígios de sangue tipo AB.

As outras relíquias atribuídas a Jesus são os supostos restos do corpo de Jesus (incluindo vários traços de sangue, uma costela e os restos da circuncisão de Jesus - o Santo prepúcio) e os objetos com os quais ele entrou em contato, como as lascas da cruz (uma das quais, provavelmente original encontra-se no Obelisco do Vaticano), a coroa com espinhos, a lança que o perfurou, o título que foi pregado à cruz e taça que ele teria usado na última ceia (o Santo Graal).

Jesus na ficção e na arte

Num primeiro momento, a arte do cristianismo evitou representar Jesus em forma humana, preferindo invocar sua figura através de símbolos, tais como o monograma formado pelas letras gregas Χ e Ρ, iniciais do nome grego Χριστός (Cristo), a união às vezes de Α e Ω, primeira e última letras, respectivamente, do alfabeto grego, para indicar que Cristo é o princípio e o fim; o símbolo do peixe em grego (ΙΧΘΥΣ, «ikhtus», acróstico de Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ Υἱός, Σωτήρ (Iesous Khristos Theos uios Soter; "Jesus Cristo Filho de Deus Salvador"). Ele também já foi representado como um cordeiro (o Cordeiro de Deus); e também em símbolos antropomórficos, como o Bom Pastor.

Mais tarde apareceram representações de Cristo, primeiro representado como um jovem, muitas vezes com o rosto de Alexandre Magno, sem barba e sem cabelos longos. A partir do século IV foi representado quase exclusivamente com barba. Na arte bizantina se tornou habitual uma série de representações de Jesus. Algumas das quais com a imagem do Pantocrator, que tiveram um grande sucesso na Europa medieval.

Na literatura

Desde finais do século XIX, inúmeros autores de obras literários têm dado sua interpretação pessoal da vida de Jesus. Entre as obras mais destacadas que trataram do tema podemos citar:

O mistério da vida de Jesus também é tema de algumas obras da literatura comercial, às vezes em gêneros como a ficção ou o romance de mistério.

No cinema

A vida de Jesus de acordo com os relatos do Novo Testamento e normalmente sob um ponto de vista cristão, tem sido frequente. De fato, Jesus de Nazaré é um dos personagens mais interpretados no cinema. O primeiro filme sobre a vida de Jesus foi La vie et la passion de Jésus-Christ de Georges Hatot y Louis Lumière. No cinema mudo, o filme que mais se destacou foi O Rei dos Reis (1927) de Cecil B. DeMille.

O tema foi abordado em diversas ocasiões, e de diversos pontos de vista: Desde a grandiosa produção de Hollywood O Rei dos Reis (Nicholas Ray, 1961) até as visões mais austeras de cineastas como Pier Paolo Pasolini (Il vangelo secondo Matteo, 1964). Também deram sua interpretação pessoal à figura de Jesus autores como Buñuel (Nazarín, 1958), y Dreyer (Ordet, 1954).

Alguns dos filmes mais recentes sobre a vida de Jesus não estão isentos de polêmicas. É o caso de A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, baseado no romance homônimo de Nikos Kazantzakis, muito criticado por sua interpretação pouco ortodoxa de Jesus. O filme de Mel Gibson, A Paixão de Cristo (2004) recebeu a aprovação de vários setores do Cristianismo, mas foi considerado anti-semita por alguns membros da comunidade judaica.

A personagem Jesus tem sido tratado no cinema de vários ângulos. Existem interpretações satíricas da figura do criador do cristianismo, como A Vida de Brian (Terry Jones, 1979). Musicais, como o célebre Jesus Cristo Superstar (Norman Jewison, 1973), e também filmes de animação, como The Miracle Maker (Derek W. Hayes y Stanislav Sokolov, 2000).

No teatro

A vida de Jesus também tem sido levada aos palcos da Broadway e a outras partes do mundo através dos musicais. Entre as representações líricas da vida e da obra de Jesus pode-se destacar o popular musical Jesus Cristo Superstar, uma ópera rock com músicas de Andrew Lloyd Webber e arranjos de Tim Rice, representada pela primeira vez em 1970, e que posteriormente viria a se espalhar pelo resto do planeta. Também se destaca a peça de teatro Godspell, com música de Stephen Schartz e arranjos de John-Michael Tebelak, que foi encenada pela primeira vez também em 1970.418 No teatro do Brasil, destaca-se Auto da Compadecida, peça de Ariano Suassuna escrita em 1955 e publicada em 1957, que retrata um jesus negro.


 

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